Fotografia: Paula Brandão/ Texto: Leticia Brandão

Nascida em São Paulo, Luiza foi criada em Mato Grosso do Sul até os 15 anos, quando voltou à cidade natal para fazer o colegial. Mais tarde, fez ESPM e começou a profissão fazendo assistência de direção em publicidade. Com quase 10 anos de carreira, a diretora de cena passou por programas de TV, séries e documentários e hoje seu foco está em filmes publicitários, menos viscerais. (vimeo.com/luizacampos)
Aos 26 anos conheceu seu atual marido, o Rodrigo, também diretor. E hoje se dedica ao seu maior projeto, ser mãe da Tereza (4) e da Maria (2,5), duas bonequinhas de cachinhos e lindos olhos azuis.

MOM ROCKS
“Ser uma moms rocks pra mim é ser mãe. A experiência mais punk e rock and roll que eu já tive na vida. É muito intenso, é cansativo, é maravilhoso é enlouquecedor.”  Continuar lendo...

MATERNIDADE
“Quando tive a Tereza, minha primeira filha, fiquei completamente anestesiada. Parece que eu recebi junto com aquele bebê um terceiro olho. Minha percepção da vida foi ampliada de uma forma que eu nunca pensei que seria. Comecei a olhar para minhas atitudes, meu marido e minha família de outro ângulo.
A primeira coisa que mudou drasticamente foram as relações com minha mãe, com o Rodrigo e com o trabalho. As peças tinham outros formatos e agora o quebra cabeças é maior, mais complicado e faz muito mais sentido.
Meio sem querer, sem pensar muito, logo engravidei novamente e a Maria nasceu. Agora sim o circo estava completo, duas bebês, a casa em construção (Luiza e Rodrigo reformaram a casa antes de se mudarem para lá com as meninas), tentando trabalhar, ficar bonita, ser uma boa pessoa, uma mãe dedicada.
Nada era mais do meu jeito, no meu tempo, como sempre foi. Acho que isso é uma das coisas mais difíceis de aceitar e se desprender. Eu achava que sabia de muitas coisas, e agora eu descobri que sei muito pouco e tenho aprendido muito com minhas filhas. Coisas sobre mim, sobre a vida, sobre o outro e especialmente sobre elas.“

VIVENDO EM FAMÍLIA
“Ser mãe é uma escolha muito individual, vem de uma vontade natural do casal, uma necessidade um tanto física, um tanto  emocional e um tanto social. Quem nunca depois de casado já ouviu: quando vem o bebê?
Daí os anos vão passando e a pressão da idade vai caindo sobre os ombros das mulheres que escolheram primeiro cuidar da profissão e depois da maternidade. Somos uma geração de mulheres criadas para conquistar o mundo, ser Dona de Casa é palavrão. Então vivemos estressadas, sem paciência e ficamos doente…rs
Eu adoro ser dona de casa, adoro cozinhar, receber amigos, cuidar do jardim, da minha casa, ficar o dia todo com as meninas. Mas ao mesmo tempo também adoro meu trabalho. Hoje um pouco menos do que antes rs.  Tenho buscado muito o equilíbrio dentro de tudo isso, tentado não me cobrar tanto e estar de corpo e alma com minha família.”

VIDA PESSOAL x TRABALHO
“Depois que me tornei mãe, mudei o jeito de trabalhar, hoje estou fazendo projetos de curto prazo, apostando na publicidade, que me dá mais tempo para ficar com elas. Guardei meus planos de longa metragem ou séries para daqui há alguns anos. Trabalho há muito tempo na produtora Mixer, onde estou cercada de amigos que confio e entendem minha prioridade em ser mãe.
Esses últimos 4 anos foram muito intensos, uma enorme transformação. Uma doação completa. Agora que nossa casa está pronta, Maria está com 2 anos e meio e Tereza com 4, sinto que as coisas estão um pouco mais sob controle. Consegui viajar a trabalho esse ano, voltei para a ginástica e estou até retomando alguns projetos que estavam na gaveta, bem devagar.”

QUANDO O ASSUNTO É EDUCAÇÃO
“Acho indispensável a presença dos pais na educação dos filhos. Independente da sua crença, escolha de escola, se come orgânico ou não, se anda pelado ou cheio de grifes, se vai ao museu ou ao shoping, acredito que educação e formação se constrói em casa e não podemos fugir disso.
A vida é corrida, os pais trabalham muito. Muitas vezes tenho que delegar as crianças para a babá, à escola ou aos avós… Por isso tento fazer com que esses ambientes que elas circulam sejam o mais próximo das minhas crenças. Mas a responsabilidade de educar é minha e do Rodrigo. Quando estou com elas, tento estar 100% com elas, sem telefone, sem computador. Tenho deixado meu lap top no trabalho quase todos os dias.
Eu e o Ro almoçamos em casa 4 vezes por semana, nem sempre juntos, mas sempre tem um de nós na mesa com elas. Dá trabalho, as vezes é chato, mas é maravilhoso quando elas cantam a música da escola, aprendem a comer salada, a se servir sozinhas… E dá trabalho armar a semana. Não temos rotina de trabalho, mas tentamos manter a rotina em casa.”

A ANTROPOSOFIA COMO MÉTODO PARA A VIDA
“Passei por 8 escolas diferentes, morei no interior, meus pais ficavam tentando o melhor para mim o tempo todo, uma verdadeira bagunça escolar. E o que ficou mais forte na minha formação foi a presença constante da minha mãe. Muito carinho, muito contato com a natureza, minha relação com meu irmão mais velho e a presença forte, rígida e intensa do meu pai, e os livros que eu li.
Fui péssimamente alfabetizada e isso não me privou de entrar na faculdade que queria. Por isso, acho escola importante, mas nem tanto assim.
Adotei a antroposofia* como medicina e educação para minha família, o que me dá bastante trabalho, mas acredito que é esse cuidado do corpo e da alma que fará com que minhas pequenas se tornem pessoas felizes e interessantes para o mundo. Quero que minhas filhas tenham seu tempo respeitado, que a infância seja prolongada, que elas tenham muito contato com a natureza, com a arte… enfim, para se tornarem seres humanos completos e felizes.”

(* O homem moderno se vê dividido entre religião, arte e ciência, como se fossem caminhos antagônicos e excludentes. A Antroposofia busca integrar no homem esses três âmbitos. No sentido mais amplo, Antroposofia é humanismo – tudo que se relaciona com o ser humano lhe é fundamental. A Antroposofia não enxerga o homem de forma meramente pragmática e materialista, mas como ser que age no mundo de forma responsável para consigo e para com os outros. O homem não é visto apenas como um animal racional, dotado de uma inteligência especial que lhe permite dominar o mundo, nem é visto como ser meramente dotado de fé no mundo espiritual, nem tampouco de forma sentimentalista. Em sua abordagem integrativa, a Antroposofia o enxerga como ser espiritual que age no mundo por meio de suas sensações físicas e de seus sentimentos. – Texto retiradoo do site da Escola Waldorf  que aplica a antroposofia na educação).

ARQUITETURA e DECORAÇÃO
A casa foi construída pela Luiza e o marido Rodrigo com ajuda da arquiteta Beatriz Meyer, grande amiga da família. A decoração ainda está em andamento, o casal pensa em cada detalhe sem pressa.
A casa é ampla, bem iluminada e bem se vê que eles gostam mesmo da natureza. A mistura de materiais naturais como a madeira, aliada a escolha de grandes janelas de vidro foi certeira para que o verde das folhagens do jardim se integrassem ao visual da morada. Além de um gramado delicioso que recebe uma casinha de bonecas para as meninas se divertirem. Não a toa o quintal é o lugar preferido da família onde também adoram mexer nas plantas e flores.
Os móveis mineiros escolhidos a dedo estão em harmonia com objetos modernos e móveis que foram reformados pelo casal, resultando em um mix agradável.
No quarto das meninas o clima é o mesmo. O berço da Maria foi herdado do sobrinho da Luiza e a caminha da Tereza também conta uma história muito especial. É uma cama feita a mão pelo Du Ribeiro, pai de um amigo da diretora, o Kiko Ribeiro. Ele fez a cama para o filho quando ele tinha 2 anos e ela passa de criança para criança há 40 anos!
“Temos o privilégio de tê-la em nossa casa agora.”

Assim é a casa da Luiza!

CRÉDITOS

foto 24 – A mesa azul da varanda era uma mesa antiga da fazenda que recebeu uma mão de tinta azul. As cadeiras foram arrematadas de um hotel que estava falindo e era a locação de uma série da qual Luiza trabalhou. Assim como o espelhão da sala.
foto 25 - Sofá e banco são da cidade de Tiradentes.  A mesa de centro, Fernando Jaeger.
foto 30 – luminarias da sala de jantar Unfold Pendant da marca Muuto
foto 38 – O berço da Maria é da Cameretta
foto 39 – A gravura é da ilustradora Anna Cunha , você pode pedir pelo correio direto com a artista. O viadinho cor de rosa é da Petit Retro.  Pratinho estampado é da extinta loja Santa Paciência.
foto 44 – Os quadrinhos da bancada foram feitos pela Luiza quando estava gravida da Tereza.
foto 50 – A ilustração da menina na arvore é da mãe de Luiza, uma avó super talentosa e presente.