Fotografia: Paula Brandão/ Texto: Leticia Brandão

LIA
A arquiteta Lia nasceu em Caraguatatuba. É da praia, ama pisar na areia e se jogar no mar, mas foi em São Paulo que ela aportou. Antes disso, deu umas voltinhas pelo mundo a fora. Com 15 anos foi fazer um intercâmbio na Austrália e quando voltou veio direto para São Paulo, morar com seu irmão mais velho.

” Eu adorava a ideia de morar aqui, curtia explorar a cidade, o  centro, o metrô, ir ao cinema, ao teatro, baladas e acima de tudo eu adorava o fato de poder dançar. Eu fazia ballet desde pequena, mas em Caraguá, era difícil encontrar escolas de dança”.

Lia fazia aulas de dança paralelamente a faculdade. Ela começou a estudar arquitetura e foi lá que conheceu o seu marido, o shaper Gregório Motta. Na época se tornaram apenas amigos. No segundo ano de curso, Lia resolveu voltar para a Austrália e continuar a faculdade lá. Desta vez a ideia era ficar cinco anos, até se formar, mas a distância e as saudades falaram mais alto e ela acabou voltando mais cedo para o Brasil.

De volta à SP, Lia e Gregorio se reencontraram e começaram a namorar. Em dezembro de 2006, no mesmo dia em que apresentou seu trabalho de conclusão do curso, veio o pedido de casamento! Em setembro de 2007 se casaram na capelinha na Barra do Sahy, no lugar onde haviam passado o primeiro final de semana juntos!

Um tempinho depois chegou o Dimitri (3anos), trazendo seus lindos cachinhos ao mundo e mostrando à Lia o que é ser uma Mom Rocks.
Hoje, ela é  Mom Rocks em dose dupla! No final do dia em que as fotos foram feitas, recebemos a feliz notícia de que a pequena Iris nasceu, bem vinda Iris!
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MOM ROCKS É:
“É entrar na brincadeira, deixar nossos filhos livres para serem eles mesmos, deixá-los viver intensamente, mas sem esquecermos de nós mesmas, do nosso trabalho e dos nossos prazeres pessoais, para que mais pra frente, quando eles conquistarem certa independência, a gente tenha nosso próprio caminho para continuar trilhando”.

TRABALHO x VIDA PESSOAL
Depois de ter trabalhado em diversos escritórios de arquitetura e paisagismo, Lia percebeu que precisava de mais liberdade para criar e começou sua carreira solo. Porém, quando se tornou autônoma, seu trabalho passou a exigir mais. A partir daí, sempre foi muito difícil não levar trabalho para casa, acabava sobrando trabalho para as madrugadas, finais de semana etc, mas muita coisa mudou desde o nascimento do Dimitri.

“A maternidade porém está ditando um novo ritmo não só para o trabalho como para todos os aspectos da minha vida. Diminuí bastante o meu ritmo de trabalho. Eu cuidei do meu filho integralmente no seu primeiro ano, queria amamentar e curtir aquele momento. Sabendo do stress que meu tipo de trabalho gera, preferi separar bem as coisas. Depois, voltei ao trabalho mas os horários ficaram limitados. Não estou com tanta pressa para voltar a trabalhar como antes pois sei que esta é uma fase única, que é agora que eles precisam de mim por perto. Conforme as crianças tornarem-se mais independentes pretendo voltar ao meu ritmo ‘normal’. Assim eu espero, pois também acredito que o trabalho seja muito importante para qualquer ser humano, não apenas pela independência financeira que ele nos proporciona, mas pelo prazer, reconhecimento e consequentemente satisfação que ele nos dá”.

ALEGRIAS E ANSEIOS DA MATERNIDADE
“Garantir saúde, educação e o bem estar deles são os maiores anseios de todas as mães eu acredito, principalmente nos dias atuais com tantas limitações e ao mesmo tempo tanta exposição. A maior alegria é ver o sorriso estampado no rostinho do Dimi e ver na pequena Iris (que nasceu no dia que fizemos as fotos), a carinha de satisfação depois de cada mamada”.

EDUCAÇÃO DOS FILHOS E APRENDIZADO NA VIDA EM FAMÍLIA
” Acho que o maior aprendizado é o da transformação, da aceitação, da mudança de prioridades. Acho que temos que praticar o respeito mútuo. Nós pais precisamos respeitá-los para sermos respeitados por eles, da mesma forma que ocorre em todos os aspectos da vida, esta grande colheita. Respeitar os filhos para mim é dar espaço, escutar, explicar e saber separar as questões deles de crianças das nossas de adultos, porém sem aliená-los”.

DECOR
A casa da família é uma graça e para saber sobre a sua historia, vale a leitura do texto que a própria arquiteta e moradora escreveu belamente para nos contar como foi todo o processo de chegada da família à nova morada.
(Obrigada pelo texto Lia!)

Sobre a casa e suas transformações…
Por Lia Soares

Como uma grande coincidência, a mudança para esta casa ocorreu simultaneamente com a chegada do Dimitri em nossas vidas. Há muito tempo procurávamos um apartamento para chamar de nosso em Higienópolis, bairro onde sempre morei desde que me mudei para São Paulo com dezesseis anos e portanto estava mais do que acostumada.

Como um golpe do destino, um ano antes, tivemos que sair do apartamento que alugávamos e ficamos praticamente desabrigados por meses, quando acabamos alugando uma casinha no mesmo quarteirão desta casa que moramos hoje.

Passada a longa busca, finalmente encontramos esta casa, pela qual nos apaixonamos a primeira vista assim que nos deparamos com o belo jardim no fundo do terreno e suas árvores, algo pouco comum para a cidade.

Nesta ocasião fizemos uma reforma no banheiro que havia sido dividido em dois anteriormente e voltamos a deixá-lo no tamanho original com um projeto bem enxuto, uma grande janela e cores claras.

Também tivemos que reformar a cozinha, a lavanderia e o jardim, onde trocamos uma grande área de piso de concreto por mais gramado. Mas lá no final do longo terreno havia uma edícula, um galpão de aproximadamente 50 metros quadrados, coberto com telhas velhas e furadas.  Este espaço foi se tornando cada vez mais inútil, só servia para guardar todo tipo de coisas que não usávamos mais, como cadeirão, berço, pranchas velhas, móveis de amigos, objetos dos mais variados que quebravam, estragavam e etc.

Enquanto isso usávamos basicamente a casa principal, com os brinquedos do Dimi espalhados por toda parte e principalmente no quarto dele. O nosso computador ficava debaixo da escada, mas enfim, até então estava tudo bem, sobrava até um quarto pequeno para visitas no andar de cima.

Com a notícia da segunda gravidez, o Dimi se mudou para este quarto pequeno e deixou o quarto dele para a irmã! Assim o quartinho dele ficou apertado com os seus brinquedos e perdemos o quarto de visitas.

Foi quando decidimos fazer a segunda etapa da reforma: transformamos a lavanderia em um dormitório de serviço e resumimos a lavanderia em um “armário” coberto por uma pequena laje e fechado com um ripado de madeira. Instalamos toldos listrados de branco e preto, deck de madeira onde não era possível fazer jardim e demolimos parte do galpão que abraçava uma amoreira , integrando a linda árvore ao jardim que já era abençoado pelas outras duas árvores enormes.

O galpão que até então não tinha utilidade alguma transformou-se em uma sala de brinquedos, escritório e quarto de hóspedes. Recebeu piso de ladrilho hidráulico azul e portas de correr de vidro, que permite muita integração entre o espaço coberto e o jardim.

Quando estamos juntos, em família, nosso espaço preferido é sem dúvidas o jardim, onde o Dimi passa horas pendurado nos dois balanços enquanto a gente aproveita para tomar um pouco de ar e sol.

 

CRÉDITOS
. foto 10 – mesa de jantar Sergio Rodrigues, herança da avó de Lia / cadeiras Carlos Motta
. foto 13 – papel de parede Fornasetti
. foto 14 – pendurador de toalha Coisas da Doris
. foto 21 – Cama Carlos Motta / colcha Zara Home
. foto 29 – berço Carlos Motta
. foto 31 –  kit troca bebê:  bandejinha Tok&Stok, “pintei de azul para o Dimi e agora de rosa para a Iris” / pote de algodão amarelo de passarinho Japonique  / garrafa térmica Pylones
. foto 33 – Armário reformado por Lia, “era do meu pai, onde ele guardava ferramentas, parafusos etc na marcenaria dele”
. foto 34 – Tapete Arraiolo “feito pela minha avó e dado de amigo secreto para o Gregório no último Natal que passamos juntos. Ela faleceu em 2011″, conta Lia.. foto 30 – Móbile da Margarida, “é uma marca de Curitiba que conheci na feira Baby Boom
. foto 35 – Gravura comprada em NY com moldura feita na  Aquarela Molduras
. foto 37 – Ladrilho hidráulico azul cobalto da Dalle Piagge
. foto 51 – Colar Sibylla Simonek
. foto 55 – Poltrona Carlos Motta